quarta-feira, 4 de abril de 2018

DESABAFO - VIDA DE PROFESSORA



Este começo de ano está muito difícil para os Professores do Estado de SP que pertencem à Categoria "O" e que estão sem contratos porque o mesmo foi reincidido no final de 2017.

Eu sei que só leciono na rede a 3 anos e isso não é nada perto dos meus colegas que estão dando duro faz muitos anos e passaram por coisa piores, mas todo licenciado tem seu começo e para aqueles que estão na lida, estudando licenciaturas ou que terminaram recentemente seus cursos, me perdoem as verdades que preciso dizer, pois elas não são e não serão aprendidas na faculdade. Se fossem comentadas, muitos ali desistiriam, mas ainda acredito que aqueles que nasceram com a "vocação de lecionar" permaneceriam firmes no propósito.

Entrei 2018 sem contrato no Estado de SP e minha classificação, desta forma, torna-se a última nas famosas atribuições de aulas agendadas para todas as quartas-feiras às 9h00, na Diretoria de Ensino em Osasco, onde moro. Primeiro, eles chamam os professores da Categoria "F" com aulas e que precisam completar cargas, na sequência, Categoria "F" sem aulas atribuídas, Categoria "O" com contrato ativo e aulas para completarem carga, Categoria "O" com contrato ativo e sem aulas, enfim e aleluia, chamam a Categoria "O" sem contrato ativo no momento, que é o meu caso (pobre de mim e de tantos outros!). E ainda seguem a classificação por numeração em todas as chamadas, não esqueçamos desta outra realidade.

O saldo de aulas em Osasco, pelo menos e o qual acompanho, tem sido muito baixo nas disciplinas de Português e Inglês, por isso, nem chegam a chamar a minha categoria. Estamos em abril e muitos professores ainda não conseguiram trabalhar.

A Prefeitura de Osasco também cancelou os contratos dos especialistas de Inglês em 2017 porque aplicou o concurso no qual passei, mas terei que aguardar a chamada da minha classificação que eu não tenho a menor ideia de quando será ou se será em 2018. Lamentável!

Aí, você tenta lecionar em escolas particulares e pedem 5 anos de experiência, ou então, você conta com os famosos "quem indica" ou "quem te coloca", o que não tem nada a ver comigo porque eu prefiro mil vezes conseguir uma oportunidade por meu próprio mérito. Sempre fui assim e não mudarei agora.

Caros colegas e futuros professores, deixo-vos o sábio conselho de fazerem seus "pézinhos de meia". Tenham dinheiro em caixa para sobreviverem quando começarem a luta pela realização desta vocação tão árdua. Isso vai amenizar os tombos do caminho. Em meu começo (2015), sofri terrores e só minhas contas bancárias poderiam explicar. Neste ano, as coisas estão começando a apertar agora, pois me programei financeiramente para esta fase até meados de abril.

Pior ainda, é você conseguir outra colocação no mercado de trabalho para sobreviver e depois, não conseguir lecionar mais porque você é "obrigado" a comparecer às atribuições semanalmente, caso não queira que o Estado considere que você não está mais interessado nas aulas. Como ir à atribuição se você trabalhando o período integral durante a semana inteira? Acha que a empresa te liberará toda quarta-feira de manhã para isso? É mesmo inexplicável!

Me encontro aqui, neste momento (às 13h40), pensando na vida depois de uma noite mal dormida com a ansiedade nas alturas, pois não desejo jogar o meu sonho de lecionar no lixo. Aos 31 anos, eu abandonei minha primeira profissão (Marketing) para realizar o sonho de lecionar e cá estou, na luta, desde então. Me chamaram de louca, nem minha família me apoiou, mas costumo achar o termo um elogio e o maior ato de coragem de toda a minha vida. Simplesmente porque fui capaz de correr atrás do meu sonho e fiz acontecer, em vez de me sentir frustrada, infeliz e ficar sentada com a bunda na cadeira reclamando da vida e do que deixei de fazer, como tantos fazem todos os dias.

Já passei por muitas dificuldades e venci. Vou vencer esta fase também com garra, unhas e dentes porque sou guerreira. Em breve, estarei dentro de uma sala de aula fazendo aquilo que sei e que me faz a pessoa mais feliz do mundo.

Meu destino pode estar traçado ou talvez não, mas eu pego atalhos e mudo os caminhos na certeza de chegar ao final com os dois pés fincados no chão e um sorriso no rosto, é claro, pois este é o maior segredo da caminhada.

Prof. Daniela Menegassi

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