sábado, 4 de abril de 2015

NO INÍCIO DA CARREIRA É DIFÍCIL ADERIR À GREVE


Eu sou a favor da greve dos professores, é claro que sou. Iniciei minha carreira em novembro de 2014 e já vivencio uma greve dessa proporção. Acredito que os professores precisam se unir e lutar por seus direitos que são quase mínimos em comparação a tantos outros profissionais formados por eles. Entretanto, venho por meio desse me manifestar porque também entendo que a greve É UM DIREITO e NÃO UMA OBRIGAÇÃO.

Sou uma PROFESSORA NOVATA em início de carreira sem nenhum dinheiro em caixa e com as contas bancárias do avesso devido ao período longo de desemprego pelo qual passei em 2014. Assumi um licença médica de 30 dias em novembro do ano passado, minha primeira experiência em sala de aula e pela qual me apaixonei, e no início de 2015 atuei como eventual na mesma escola localizada no Munhoz Júnior, Osasco. Então, nesse caminho novo, descobri que as 22 aulas dadas em fevereiro seriam recebidas somente em abril, bem como as 26 aulas dadas em março receberei somente em maio.

Depois de participar de algumas atribuições em escolas de Osasco e nunca conseguir nada por não ter pontuação, ter pouca experiência e ainda ser a última da lista por constar no sistema da DE como "aluna do último ano" devido aos estágios pendentes, enfim, no final de março consegui assumir outra licença médica de 30 dias numa escola localizada na Campesina.

Me pergunto: - Como não assumir essas aulas? Pois preciso trabalhar agora para ter o que receber lá na frente. Além disso, também só receberei essas aulas em maio e passarei o mês de abril apertada tentando pagar minhas contas.

Venho, desde que comecei a lecionar nesse ano, pagando minhas próprias conduções para ir até as escolas, já que não tenho carro próprio. Tenho me virado financeiramente como posso e perco algumas noites sem dormir em meio as minhas preocupações. Daí, vem alguns professores mal educados tentar nos obrigar a aderirmos à greve! Na última paralisação que houve no Centro de SP, eu até pensei em ir e gostaria sim de me unir a eles, mas a Diretora da escola me explicou que a falta seria minha e eu não podeira repor porque a professora voltará em breve, lá pelo dia 17 de abril. Assim fica complicado!

Eu sou CATEGORIA O e também apoio todas as reivindicações dos professores nas ruas. Tenho registrado minhas reclamações nas redes sociais. Ao descobrir sobre a quarentena e duzentena entrei em pânico e fiquei indignada, mas nesse momento eu peço desculpas e afirmo que não tenho condições de fazer greve. De ficar sem trabalhar e sem dinheiro. A pior parte é obter a ajuda dos meus pais aos 35 anos que acabei de completar, mas eu escolhi passar por isso quando decidi mudar de profissão em meio aos 30. Sou formada em PUBLICIDADE E PROPAGANDA e atuei nas áreas de Comunicação e Marketing por quase 5 anos. Ganhava R$ 2.000,00 em meu último emprego e tinha todos os benefícios (VT, VR, Registro em Carteira e Convênio). Já trabalhei em uma empresa que pagava 50% do meu curso de Inglês, o qual está parado há quase 2 anos porque não tive condições financeiras de continuá-lo. Estou sem um Convênio Médico há quase 2 anos também e parei alguns tratamentos importantes.

De qualquer forma, eu escolhi ir atrás do SONHO DE CRIANÇA QUE É LECIONAR PORTUGUÊS e sabia que passaria por essas provações e dificuldades no início até obter resultados positivos em um Concurso Público, por exemplo. Agora que estou feliz e verdadeiramente fazendo aquilo que eu sempre sonhei em fazer, querem que eu pare? Só acho que aqueles que aderiram à greve devem RESPEITAR aqueles que não podem fazer o mesmo nesse momento. Eu não tenho escolhas e a única coisa que quero e preciso é ter meu salário ao final do mês na conta sob quaisquer circunstâncias.

Tenho dito e obrigada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário